Os principais pontos doutrinários
1 - A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA
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Cremos que a Bíblia é inspirada por Deus: “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a educação na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (2 Tm 3.16,17). Ela é a revelação do próprio Deus para a humanidade (2 Pe 1.20,21). A Palavra de Deus nunca erra, por isso é o mapa da nossa fé (João 10.35).
2 - A DOUTRINA DE DEUS
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Cremos na existência de um único Deus Pai, Filho e Espírito Santo (Mt 28.19), “um em essência e trino em pessoa”. “... para que vocês saibam e creiam em mim e entendam que eu sou Deus. Antes de mim nenhum deus se formou, nem haverá algum depois de mim” (Is 43.10b). Ele é o Deus Criador dos céus e da terra (Gn 1.1; João 1.1-4), e seus atributos são: Eterno, Onipotente, Onipresente, Onisciente, Transcendente, Imutável e Soberano. Ele é o Deus Criador e Sustentador de tudo o que existe.
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3 - JESUS CRISTO É DEUS
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Ele é eterno: “Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, o que é, o que era e o que há de vir, o Todo-Poderoso” (Ap 1.8). “No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus e era Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito” (Jo 1.1-3). Ele se tornou homem, viveu sem pecar, morreu na cruz para resgatar a humanidade pecadora, ressuscitou dos mortos e subiu aos céus onde é o nosso advogado na presença de Deus (Hb 1.1-3; Fp 2.5-11).
4 - O ESPÍRITO SANTO É DEUS
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O Espírito Santo também é Deus. “Ora, o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade” (1 Jo 3.17). Como integrante da Trindade Divina, Ele age de modo pessoal para glorificar a Cristo e dar continuidade à Sua obra. Jesus disse aos seus discípulos: “Quando vier o Conselheiro, que eu enviarei a vocês da parte do Pai, o Espírito da verdade que provém do Pai, Ele testemunhará a meu respeito” (Jo 15.26). Por meio do Espírito Santo, Deus opera na esfera espiritual, convertendo pecadores, santificando os convertidos, sustentando os Seus seguidores, produzindo frutos espirituais e distribuindo dons espirituais para a edificação da igreja (At 5.3,4; 2 Co 3.17,18).
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5 - A QUEDA DA HUMANIDADE
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Deus criou Adão e Eva, como seres bons e puros, em perfeita comunhão com o Seu Criador. “Então disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1:26). Mas eles ignoraram as instruções do Criador e fizeram deliberadamente o que Lhe desagrada. Esse ato resultou no fim de sua inocência e bondade, trazendo um mundo de sofrimento e morte, tanto na esfera física como também espiritual (Gn 3.1024; Rm 6.23). Assim o pecado entrou e proliferou no mundo. “Não há distinção, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Rm 3.23). Com a origem do pecado, iniciou-se a constante tendência para o mal e a depravação de toda a raça humana (Gn 6.5; Rm 1.18-27).
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6 - A SALVAÇÃO DA HUMANIDADE
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A salvação por meio da fé em Cristo é uma obra restauradora completa. “Portanto, ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles” (Hb 7.25). A salvação é uma obra da graça de Deus, para todo aquele que quer recebê-la. “Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem Filhos de Deus” (Jo 1.12). A morte de Jesus Cristo na cruz é o único e perfeito sacrifício pelos nossos pecados. A salvação é o livramento da morte espiritual e da escravidão do pecado. Ela é recebida quando o ser humano se arrepende dos seus pecados, confessa-os a Deus, pede perdão, aceita Jesus Cristo como Senhor e Salvador de sua vida e passa a ser nova criatura (2 Co 5.17; Rm 8.16,17).
7 - A VIDA SANTIFICADA
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Santificação, segundo a Bíblia, significa separação para um determinado fim, ou seja, para o serviço de Deus. Isso só é possível mediante a ação sobrenatural do Espírito Santo, que implica em separar-se do mal e identificar-se com as coisas boas, justas e puras. Acontece como um ato na regeneração, mas continua como um processo progressivo por uma vida inteira, de acordo com a consagração da pessoa. “... ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor” (Fp 2.12b). A Bíblia nos ensina que Deus é santo. “Sejam santos porque eu sou santo” (1 Pe 1.16). Também ensina que sem a santificação não é possível ver o Senhor. “Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). Para que isso se torne possível, precisamos buscar constantemente, encher-nos do Espírito Santo mediante a oração, leitura e meditação na Palavra de Deus e obediência incondicional a Ele. “Não se embriaguem com vinho que leva à libertinagem, mas deixem se encher pelo Espírito” (Ef 5.18). A evidência de uma vida santificada é o fruto do Espírito (Gl 5.22-23).
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8 - A MISSÃO DA IGREJA
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A Igreja é a reunião de pessoas regeneradas que têm colocado a sua fé em Jesus Cristo como a única solução para os seus pecados. Inclui todas as pessoas sem distinção de idade, sexo, raça ou condição social. A ordem de Jesus diz: “Vão pelo mundo todo e preguem o Evangelho a todas as pessoas” (Mc 16.15). Conforme o plano de Deus, cada cristão deveria ser uma parte integrante da igreja. A igreja deve ser uma agência de Deus para evangelizar o mundo e assistir às pessoas em suas necessidades. A igreja também deve ser um Corpo unido e cooperativo, no qual todos podem adorar e servir a Deus (Ap 19.10; 22.9). Ela também deve ser um canal do propósito de Deus para edificar Seu Reino, através do uso dos mais diferentes dons espirituais, que devem ser usados com zelo e sabedoria para a edificação da mesma (Ef 4.11-15).
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9 - AS ORDENANÇAS DA IGREJA
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A Igreja de Deus denomina o Batismo, a Santa Ceia e o Lava-Pés como práticas ordenadas e estabelecidas pelo próprio Senhor Jesus Cristo. São solenidades que representam valores espirituais (João 8.31; 14.15; 15.14). A sua observância tem sido de grande bênção para todos os que as praticam de maneira correta.
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9.1 - O BATISMO
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O batismo nas águas é uma ordem bíblica clara e um ato único. Todos os regenerados devem ser batizados como testemunho público da sua fé cristã. “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16.16). Praticamos o batismo por imersão, que é acompanhado por um simbolismo maravilhoso. Submergir (mergulhar) na água significa morrer (e ser sepultado) para a vida no pecado; imergir da água simboliza ressuscitar para uma nova vida com Cristo. Portanto, o batismo está relacionado à nossa libertação do pecado e é um testemunho público da pessoa (Mt 28.18-20). “Fomos sepultados com Ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova” (Rm 6.4).
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9.2 - A SANTA CEIA
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A Ceia do Senhor é um memorial do sofrimento e da morte do Senhor Jesus Cristo. Ele mesmo disse: “... façam isso em memória de mim” (1 Co 11.24b; Lc 22.19). Normalmente usamos pão sem fermento, que representa o Corpo puro de Cristo; e suco de uva, que representa o Sangue de Cristo, derramado como expiação pelos nossos pecados. “Porque sempre que comerem deste pão e beberem deste cálice, vocês anunciam a morte do Senhor até que ele venha” (1 Co 11.26). Ao ingerir os ingredientes simbólicos do pão e do suco de uva, o cristão expressa que foi justificado diante de Deus e compartilha da natureza divina e da vida eterna por meio de Cristo (2 Pe 1.4). A ceia está relacionada com a nossa união com Cristo, mas também representa a unidade e a fraternidade do povo de Deus.
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9.3 - O LAVA-PÉS
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Apesar da maioria dos cristãos omitirem essa prática, nós entendemos que é o cumprimento de uma ordem de Cristo, que nos desafia à reconciliação, à humildade e ao serviço mútuo. Jesus disse: “Pois bem, se eu, sendo o Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como eu lhes fiz” (Jo 13.14-15). O lava-pés foi praticado primeiramente por Jesus Cristo, estabelecido como prática de Sua Igreja e ordenado como prática da Igreja futura. “Agora que vocês sabem essas coisas, felizes serão se as praticarem” (Jo 13.7). Portanto, o lava-pés está relacionado à nossa união com o próximo e ao serviço mútuo.
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10 - A CURA E LIBERTAÇÃO
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Cremos na cura divina, segundo a vontade de Deus, tanto física como também espiritual. A Bíblia diz: “Jesus foi por toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças entre o povo” (Mt 4.23). A Bíblia também nos orienta a ungir os enfermos com óleo e orar por eles com fé. “Entre vocês há alguém que está doente? Que ele mande chamar os presbíteros da Igreja, para que estes orem sobre ele e o unjam com óleo, em nome do Senhor. E a oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará. E se houver cometido pecados, ele será perdoado” (Tg 5.14-15). Além disso, também cremos que Deus utiliza a ciência para curar os enfermos. Assim como Deus cura fisicamente, Ele também cura e liberta espiritualmente, tanto da opressão e possessão maligna, como também de todo o tipo de vícios e feridas de um passado pecaminoso, ou da violência do pecado. Jesus também disse: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor” (Lc 4.18-19). “Se vocês permanecerem firmes na minha Palavra, verdadeiramente serão meus discípulos. E conhecerão a verdade e a verdade os libertará” (Jo 8.31-32). Devemos orar pelos enfermos, crendo que Deus cura de acordo com a Sua vontade soberana (2 Co 12.7-10; 2 Ts 1.11-12).
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11 - ESCATOLOGIA (DOUTRINA DAS ÚLTIMAS COISAS)
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Cremos na segunda vinda visível de Cristo, na ressurreição dos mortos, na transformação dos vivos, no juízo final e no destino final dos salvos e dos perdidos (Mt 24.30-31; 1 Ts 4.1316; Mt 25.31-46). Apesar de sermos seres fisicamente mortais, somos espiritualmente imortais, pois o nosso espírito é o “Sopro Divino” que jamais morrerá. A morte é apenas a separação entre corpo e alma, ou corpo e espírito. O corpo passa por um processo de desintegração, e a alma e o espírito passam para o mundo espiritual. A alma (psychê) pode ser a manifestação da vida, ou do ser não material do homem com o mundo. O espírito (pneuma) é a manifestação do ser invisível para com o seu Deus. Cremos que os espíritos dos salvos falecidos estão temporariamente no Paraíso, mas ainda não receberam o galardão final. Jesus disse ao ladrão penitente da cruz: “Eu lhe garanto: hoje você estará comigo no Paraíso” (Lc23.43). Conforme Lucas 16.23, cremos também que os espíritos dos perdidos estão no inferno (lugar de sofrimento), aguardando o dia da ressurreição e do juízo final. Na segunda vinda de Cristo haverá o julgamento e a recompensa final, tanto para os salvos, como para os perdidos. Os salvos estarão para sempre na Glória Celestial. A Bíblia diz: “Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: Agora o Tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos, o próprio Deus estará com eles, e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda a lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro e nem dor, pois a antiga ordem já passou” (Ap 21.3-4). Os perdidos serão banidos para sempre da presença do Senhor. “Aqueles, cujos nomes não foram encontrados no Livro da Vida, foram lançados no lago de fogo” (Ap 20.15). A Igreja de Deus é amilenista, ou seja, não crê na existência de um reino milenar terreno, por três razões:
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Em primeiro lugar: não há necessidade para um reino milenar terreno, pois Cristo já fundou um Reino de ordem espiritual, o Reino de Deus. “Jesus disse: O meu reino não é deste mundo” (Jo 8.36). “O Reino de Deus não vem de modo visível, nem se dirá: ‘Aqui está ele’ ou ‘lá está’, porque o Reino de Deus está entre vocês” (Lc 17.20,21).
Em segundo lugar: não haverá tempo para um reino milenar terreno. A Segunda Vinda de Cristo será um acontecimento único, ou uma reação em cadeia dos acontecimentos já anunciados, sem o devido espaço de tempo para um reino milenar terreno. “Sejam pacientes e fortaleçam o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima” (Tg 5.8).
Em terceiro lugar: não haverá lugar físico adequado na terra. Não haverá lugar neste mundo, pois o nosso planeta será desintegrado, mas haverá um novo céu e nova terra. “O dia do Senhor virá como ladrão. Os céus desaparecerão com um grande estrondo, os elementos serão desfeitos pelo calor, e a terra e tudo o que nela há será desnudada (queimada) ” (2 Pe 3.10). (Manual de Diretrizes da Igreja de Deus no Brasil. Joinville, SGL / IDB,
2002. 42 p.)